Dia desses o Ministro Marco Aurélio Melo, do STF, foi super ovacionado em virtude de uma entrevista na TV Cultura (íntegra AQUI). Fã assumido que sou, por sua inteligência e indiscutível qualificação, causou surpresa o maior elegio recebido por ele.
Em todos os cantos o comentário mais ouvido era:
- Por isso que eu gosto do ministro Marco Aurélio. Ele tem coragem de falar o que pensa!
Eu fico a me indagar é quando foi que perdemos a nobreza, a hombridade, a naturalidade de simplesmente dizer o que pensamos! Em que momento da história falar com honestidade o que se pensa virou motivo de mérito.
Dito isto, vou direto ao assunto: como poderia eu esconder meu inconformismo e minha indignação com esse triste capítulo da Justiça do Estado do Amazonas? Como mascarar que, de muito, mas muito longe, pude testemunhar, infelizmente, algumas das maiores demonstrações de arbitrariedade e cerceamento de defesa em minha não tão curta vida profissional? E tudo isto propiciado por esse acidente teratológico que levou o número 1597/2010. Se foi suspensa, revogada, anulada, não sei dizer ao certo, sei apenas que seu uso, aparentemente, chegou ao fim. Mas não vai de forma silenciosa, discreta.
Devido processo legal, juiz natural, ampla defesa, contraditório, impessoalidade, enfim, são tantos os principios espancados e jogados no lixo que chego a me questionar como demorou tanto pra chegar ao fim. Ou mesmo, como pode iniciar.
E as prerrogativas dos advogados? O despeito,? O deboche? O descaso? A ironia? Tudo culminando no pior de todos os atos arbitrários: a falta de acesso aos autos, que nem mesmo com a prisão do investigado deixava de acontecer.
- Ô Naranjo, tu não tens medo que alguém se aborreça contigo? Não tens medo de te queimar?“
É, acredite, com tanta ilegalidade acontecendo essa é a pergunta que eu mais escuto. E minha resposta é simples. Não estou falando nenhuma novidade! Não estou falando nada que muitas bocas já não tenham dito, nada que não seja sabido. Eu estou apenas… falando! E além disso, só vai se aborrecer quem está do lado da ilegalidade, quem acredita que os fins justificam os meios.
Um repórter hoje me perguntou se eu achava justo a citada Portaria ser desfeita, e, como consequência, se eu achava justo tantas pessoas acusadas de crimes podendo vir a ganhar liberdade. Eu perguntei dele como ele definiria “o ato de corrigir uma ilegalidade”. A resposta foi um sorriso amarelo e… silêncio, pegou o rumo de casa.
Ninguém, absolutamente ninguém, jamais me ouviu defender que esse ou aquele acusado é inocente, é santo. Eu sempre defendi – e sempre defenderei enquanto advogado for – todo e qualquer direito que o cidadão possua, seja o direito à sua integridade fisica, mental, seja sua intimidade, ou a inviolabilidade de sua casa.
Não há como viver em sociedade sem estabilidade, sem a garantia de proteção contra mudanças repentinas e abusos numa realidade jurídica. Não há como viver sem a certeza que o estado-juiz sempre tomará decisões coerentes, críveis. Preciso, mais do que tudo, acreditar e lutar pela segurança jurídica, que é um direito fundamental do cidadão. Não há como viver sem a garantia que “a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada”.
Agora o momento é de expectativa, afinal, já se sabe como será daqui pra frente, mas o importante saber agora, mais que tudo, é como será daqui para trás.
Cansado e abatido, eu brado: eu tenho muito, mas muito orgulho de ser advogado.
Dr. vc retratou muito bem o sentimento de muitos colegas advogados. Inclusive o meu! Parabéns!!!!!
Belo texto. Advogado com “A” maísculo, respeitado pelos juízes e funcionários probos.
Realmente o dom das palavras é dado a poucos…. E vc realmente o tem…
Há alguns dias, depois de esbravejar em um balcão de uma das varas que já tinha ido zilhoes de vezes para falar com sua Excelência e por um ou outro motivo não conseguia, pedi um simples procedimento que eu estive lá e não pude ser atendida… Pense num tempo fechado, diretor nao estava, só tinham “orelhas” que não podiam ou nao queriam me ajudar. Após a interminável peregrinação, tive a gratíssima surpresa de ser muito bem recebida pelo ilustrissimo e após esclarecer minha indignação e dizer que não era nada pessoal com ele (e realmente nao é) mas sim contra a cerca que se forma ao redor dele que as vezes nem o proprio tem conhecimento, tive meus reclames ouvidos e resolvidos. Ouvi deste magistrado: “Doutor, advogado tem que ter vocação”. Comentou inclusive que conhecia as dificuldades de tal atividade. Essas palavras realmente definem o nosso sacerdócio…
Faço minhas as suas palavras: EU TENHO MUITO ORGULHO DE SER ADVOGADO.
Dr, parabens ao senhor que ainda tem gana. Eu ja desisti, criminal so quero coisa ligth, muito enrosco… briga….. to fora!!! . Eu acreditava no devido processo legal, mas o que vejo todo dia e outra coisa, entao…. ou voce briga com todo mundo para ser respeitado … ou entra na corja. Ja briguei muito, cansei. E como nao quero entrar na corja e ainda ter “r…preso” saio fora quando vejo que o lance so se resolve na briga ou de outra forma bem mais facinha. So ando vendo imundice… nao vejo direito…so vejo imundice…vejo gente mais suja do que qualquer cliente com um ficha criminal de legas…entao como nao me troco com porcos….bati poeira.
light , kkkk!!
leguas