Hoje o calor tomou conta do escritório, e não somente o calor climático, esse bafão que voltou a tomar conta de Manaus, mas também o calor provocado pela mãe de um cliente, que chegou gritando, procurando o advogado fujão que existia aqui: eu.
Fiquei logo mordido, abri a porta e mandei entrar. Disse que falasse tudo o que sentia, tudo o que produzia aquele calor dentro dela. Ela chorou, esperneou o fato de o filho estar preso novamente. Disse que já se passam 6 meses e nada de soltura. Disse que havia consultado o processo na internet com a ajuda de um sobrinho e constatou que o mesmo estava parado, sem movimentação, por mais de um mês. Deduziu que eu havia abandonado o processo. Mas a realidade é outra.[: faltam juizes.
O número de juizes não dá conta da quantidade de demandas existentes. Agora imagine o inferno: se com um número reduzido de juizes já está dificil, quando um, dois ou três entram de férias, viajam, adoecem, o caos se instala. É juiz respondendo por mais de um cartório, por dois, três. Impossivel a qualidade da prestação jurisdicional nao ser afetada. Enquanto isso, eu pego a culpa pela parada processual do processo.
É como minha mãe diz: “Isso tinha que ser que nem escola: faltando um professor, que venha outro imediatamente para substituir”.
Quem sabe um dia…
é isto que os parentes dos presos não entendi,a colocação que deu,a falta .de pessoas p/ trabalhar.
Ótimo esclarecimento do que muitas vezes é taxado de falta de cumprimento e consciência com o dever o social. Ademais, dificil não é tratar o problema quando se tem as ferramentas para tal, mas sim explicar a um gozador do serviço que o problema é conjuntural, e o pior, elucidar que uns fazem e outros pagam.
Genil Soares.
Acadêmico de Direito da Universidade Estadual do Piauí-UESPI.
É, nobre colega, isso tá ficando comum demais! Já nos falta argumento pra justificar o marasmo processual. E de quem é a culpa, para o cliente: do advogado.
A meu ver, a culpa nem é daquele magistrado que assume duas ou três varas e tá atolado de bronca pra responder, mas, sim, da administração judiciária que não providencia o ingresso de novos juízes. E candidatos para as vagas não faltam.
Até quando?