Escrevi o texto abaixo dois anos atrás e neste fim de semana lembrei dele, precisei dele. Senti novamente a dor de ser chamado “advogado de bandido”, a dor de ser visto como aquele que apenas “põe ladrão na rua” como costumava dizer um vizinho.
Se você, por acaso, também tem a mesma idéia, o mesmo conceito, leia o texto. Se ainda assim o conceito permanecer, não há como negar, você não conhece a realidade e, portanto, não está envolvido no jogo, fica na platéia.
Ser advogado criminalista é padecer, sofrer. Não raro, somos confundidos com nosso constituinte, sem mencionar a quantidade absurda de autoridades que confundem o lado profissional com o pessoal: prejudicam o réu, o acusado, por não gostarem do advogado. É fato que, como qualquer um, o advogado pode cometer erros, mas aprende com eles. Pelo menos deveria.
Outros pensam que a missão do advogado é comprometer o sistema, o cumprimento da lei, tem a idéia que o advogado criminalista serve para fazer do culpado, inocente, sendo esta a acusação mais ofensiva e, também, a mais desprovida de fundamento.
Cabe ao advogado garantir o cumprimento da lei, o respeito aos direitos do acusado. Garantir sua integridade fisica, mental. Garantir que será penalizado na medida de sua culpabilidade. Que não vai pagar por um crime que nao cometeu apenas “porque alguem tem quer ser preso”, ou ficar preso quanto possui o direito da liberdade, fato comum em nossos dias.
Ainda que a lei diga que somos iguais, advogados juizes e promotores, nao somos, nunca fomos, nunca seremos. Estaremos sempre à merce dos “pequenos”. Mas amamos o que fazemos, temos orgulho, mesmo sendo alvos fáceis.
O advogado criminalista, se não quiser compactuar com a ilegalidade, com a injustiça, tem que se expor, dar a cara à tapa, dar a cara de novo, e outra vez. Mas não pode calar, quedar, acovardar. É xingado, não tem a quem recorrer.
Estamos e sempre estaremos aqui até mesmo para aqueles que – de forma ignorante - pedem a pena de morte como única solução. Estamos aqui para aquele que dormiu ao volante e causou prejuízo fisico ou patrimonial. Estamos aqui para aquele não brigou com o vizinho e brada que isso nunca vai acontecer. Estamos e estaremos aqui.
Vivemos num país hipócrita e preconceituoso, que ataca o advogado do pobre, do negro, do ladrão de galinhas, e que exalta, serve cafezinho, para o advogado do deputado corrupto, do prefeito pedófilo.
Dedico estas palavras aos advogados que no dia-a-dia sofrem, são atacados e lutam para que a lei seja cumprida. Para que a injustiça nao se estabeleça, nao se agasalhe. Homenageio tantos que fazem da advocacia não somente uma profissão, mas uma missão, realização pessoal, que com seu toque pessoal, da sua forma, garantem que o brilho dessa nobre missão permaneça vivo.
À você Christhian, dedico as nobres palavras que Rui Barbosa direcionou a Evaristo de Moraes e que ganhou, como não poderia deixar de ser, o título de clássico, o conhecidissímo DEVER DO ADVOGADO. Todo o texto é brilhante, como tudo que refere-se ao venerado mestre, mas permita-me reproduzir um trecho da obra que adapta-se fielmente ao seu texto.
“Mas, perante a humanidade, perante ao cristianismo, perante os direitos dos povos civilizados, perante as normas fundamentais do nosso regime ninguém, por mais bárbaros que sejam seus atos, decai do abrigo da legalidade. Todos se acham sob a proteção das leis, que, para os acusados, assenta na faculdade absoluta de combaterem a acusação, articularem a defesa e exigirem a fidelidade à ordem processual. Esta incumbência, a tradição jurídica das mais antigas civilizações a reservou sempre ao ministério do advogado. A este, pois, releva honrá-lo, nao só arrebatando à perseguição os inocentes, mas reivindicando, no julgamento dos criminosos, a lealdade às garantias legais, a equidade, a imparcialidade, a humanidade.
Esta segunda exigência da nossa vocação é a mais ingrata. NEM TODOS PARA ELA TEM A PRECISA CORAGEM. (…) MAS
Calma caro colega, sempre haverá o dia seguinte. Eu padeço da mesma pecha! E pior é ter que ouvir comentários de meus próprios familiares. Mas, como sou teimosa, ouço e levo na esportiva. E daí se pensam isto demim! A CF proporciona a todos o direito de ter um defensor e julgamento justo, e eu cumpro a lei. Certo!
Gostei deste artigo. Muito bom. Serve para desmistificar a imagem acerca do advogado criminalista, a qual muitas vezes é distorcida pelos jornais, ou por filmes e outras peças de ficção.
Deveria ser duro a você, Naranjo, ler costumeiramente num blog: “muitos advogados criminalistas são safados”; “advogado criminalista quase sempre se mistura com o bandido”; “hoje fui enganado por um advogado criminalista e tive vontade de bater nele com o vade mecuum interpretado, comentado e com legislação extra”.
Veja que as expressões”muitos” e “quase sempre”, apesar de não generalizarem, não atenuam a indignação de quem pertence a uma classe, nem afastam a sensação de estar sendo vítima de desvelado preconceito.
Assim você faz com os motoqueiros. A não ser que você tenha estatísticas oficiais das multas aplicadas aos condutores de motos, em confronto proporcional com as aplicadas aos demais veículos, suas conclusões são totalmente empíricas e, portanto, sem valor algum.
O motorista brasileiro, de um modo geral, é ruim, negligente, imprudente, indisciplinado. Motoristas de automóveis e carros pesados não furam blocos no meio da rua, não andam sem capacete, não costuram nem andam na calçada porque não podem (se a calçada for pequena, pois já vi carro transitar por elas quando são grandes).
Do mesmo modo que motoqueiros não andam sem cinto, não bloqueiam cruzamentos, não param em fila tripla em frente a colégios, não buzinam insistentemente em engarrafamentos, não param no meio da rua pra pegar passageiros etc etc etc.
Tenha certeza mesmo que os condutores de moto são os mais imprudentes?
Se pudesse, bateria palmas.
Sem mais. Forte abraço e coragem!
Senhores, entrei hoje dia 04.03.2011 e li um pouco do sofrimento do dia-a-dia de um profissional criminalista. Tenho amigos que trabalham na àrea e sofrem com comentários ruins de seus amigos e familiares.
Sou estudante de Direito, estou no segundo ano e vejo aqui que independentemente da minha área de atuação, cito um exemplo claro de um erro da humanidade, o réu que não teve defesa verbal e nem escrita e gera polêmicas e debates até os dias atuais, foi inocente, e mesmo assim, foi crucificado o nosso senhor Jesus Cristo.
Não se preocupem, sejam fiéis com sua profissão, muitos deles podem ser inocentes e autoridades acabam usando o poder para proveito próprio.
Parabéns, senhores.
Diane Vieira.
NARANJO, voce é apenas, um HEROI, aquele HEROI, Peregrino que bate, perseverante e insitentemente as PORTAS ESTREITAS DA JUSTIÇA, entretanto, meu colega, elas, são assim estreitas e, de dificil acesso, penso eu,em razão do reduzido numero de Juizes e Comarcas destribuidos por esse imenso e abençoado território brasileiro.Dai, imagino, que o nosso calvário e a dolorosa espera, pelo andamento dos processos a passo de tartaruga, sofre e assim padece, tanto os colegas que se dedicam ao civil, quanto as cuasas criminais, e sofrimento maior, quando presos, especialmente, com excesso de prazo! Para ilustrar o que afirmo, basta dizer, que em 1970, quando inciei essa perigrinação, há 40 anos, aqui na Paraiba, no nosso Egregio Tribunal de Justiça, tinha instalada e em funcionamento, uma Camara Criminal, creia, até o momento em que, escrevo estas notas, 40 anos depois, temos, a mesma, e unica Camara Criminal! Não como pensar, que, 40 anos depois, o numero de processos distribuidos hoje, em 2011, seja o mesmo numero que aportava a aquela Egregia Camara Criminal em 1970 ou inicio de 1971. O povo não sabe, e, fica clamando para que tenhamos penas mais rigorosas, e até alguns, clamam pela implantação da abominável pena de morte. No meu modesto entender, IMPUNIDADE, nesse meu BRASIL, tão AMADO, se encontra na falta de recursos humanos do Poder Judiciario, mais Juizes,mais funcinário, maior rapidez,e celeridade no deslinde das lides. O entreve, não são os nossos Códigos Penal e Processo Penal, mas, a fata de CELELRIDADE da JUSTIÇA, QUE DE HÁ MUITO É SINOMINO DE IMPUNIDADE!!!! Um abraço fraterno dessa colega que se orgulha de te-lo ai, no batente, neste Norte do Brasil. vou ficar, por aqui, vou cumprir, nessa terça-feira de carnaval, o meu dever maravilhoso e vovo, pois os netos me convocam! Sob as bençãos de Deus, tua colega Josenete Dantas- (OAB-PB-1141)
Parabéns Dr.!
Faço das suas, as minhas palavras!
Emano as minhas mais nobres homenagens ao colega!
Pamella Medeiros (OAB-PE 26954)
Sou acadêmica de Direito, e já me encontro no 8° período, pensei por alto varias vezes na carreira CRIMINAL, porem tinha um pensamento de vários, não um pensamento único, o qual me levaria a analisar questões a fundo, porem quando estava cursando o meu 5° período fui questionada por cometer uma descriminação com um futuro colega e professor ate presente momento, pois ele seria Criminalista e eu uma mera estagiária trabalhista, foi ai que recebi uma indicação de leitura que me ajudou a interpretar melhor a profissão ADVOGADO.
Indico e aconselho o seguinte livro:
AS MISÉRIAS DO PROCESSO PENAL, FRANCESCO CARNELUTTI.
Com este livro, revi diversos pensamentos e acredito hoje que respeito à área criminal e compreendo perfeitamente o amor eu vários possuem pela mesma.
Conseguiu exprimir em seu texto o que muitos advogados SÉRIOS que atuam nessa área sentem; parabéns!!
Tive a sorte de trabalhar em áreas ligadas aos direitos humanos (trabalhista, consumidor) e a vida foi me conduzindo por estas veredas até que, de repente, me vi trabalhando dentro de uma Unidade Socioeducativa de Adolescentes. Ouço todas aquelas “gracinhas” que citou em seu texto de amigos, familiares, e “colegas” de formação jurídica que atuam na área da infância e juventude.
É complicado……..mas me orgulho do trabalho que faço e penso que se atuamos com amor, seriedade e honestidade, devemos continuar de cabeça erguida e firmes em nossa seara.
caro colega, infelismente esse preconceito com os advogados não se restringem aos criminalistas. Todos nós, estamos sugeitos as incompreensões e infamias dos que desconhecem os tramites legais. Atribuem ao meu espírito calmo a culpa pela morosidade da justiça mineira, como se fosse nossa a responsabilidade pela escasses de magistrado, insuficiencia de servidores, e o fato de uma Comarca responder por tres, quatros municípios. Portanto, meu Caro, somos incompreensíveis na nossa luta. Se ganhamos, a Causa é que era fácil. Se perdemos, é porque somos ruins advogado.
Atenciosamente
concordo com o seu texto a se nao tive os advogado era injustica a torta e a direita o senhor dr,como agora descubri que querem me acusa de um homicidio que nao teho nada a ver apenas os policias da homicidio estao indo na casa da mae da vitima pra ela me acusa so por que querem um culpado,mais o senhor ta ae pra nos ir la.