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O impagável escritor amazonense *Marcio Souza contou, dias atrás, como teria sido enganado pelo boi Garantido. Os detalhes do causo foram mencionados no texto que o escritor resolveu chamar de “Pajés contra o Calote”.
No texto explicava que o boi Garantido nao havia honrado com suas obrigações ($$$) e que, diante do caso, nao buscaria a Justiça, mas o auxílio de dois pajés feiticeiros, praguejando o boi Garantido. Diz o texto:
Poderia ter procurado a Justiça, mas optei por força maior e contratei dois pajés do alto rio Negro. E dou os nomes: Yerenje Punã e Ulemun Simy, o primeiro da etnia uanana e o segundo da etnia barasana. Yerenje é conhecido como o mais importante e poderoso pajé de fumaça do rio Tiquiê, enquanto Ulemun é famoso pelos efeitos letais de seus feitiços. Ambos são procurados por políticos, ecologistas e empresários.
E continuou, a fim de demonstrar o poder dos pajés:
Recentemente Ulemun conseguiu levar a falência a Chrysler, a pedido de um CEO da Ford Motors. Foi ele o responsável pela perda dos mandatos de vários vereadores. Yerenje também não faz por menos e, a pedido do Partido Socialista italiano, está acabando com a reputação do Berlusconi. Em trabalho conjunto para o Greenpeace, eles conseguiram abalar os pecuaristas ilegais do Pará, fazendo os maiores supermercados recusarem carne bovina não certificada.
E por fim, praguejou:
Na primeira noite o tripa vai ter cãibras que fará o boi desmunhecar, a torcida organizada terá soluços e vai errar a coreografia e as alegorias encrencarão antes de entrar na arena.
Na segunda noite o presidente vai escorregar no banheiro e quebrar a perna boa, o marido da amante do tesoureiro vai descobrir tudo e tentará lavar a honra a terçadadas e a Cunhantã Poranga vai aparecer com quatro espinhas pustulentas no nariz.
Na terceira noite o feitiço vai recair nas tribos, que não poderão executar as coreografias do Chico Cardoso porque vão amanhecer todos com torcicolo.
Não há como negar o bom humor e a qualidade do texto, mas, diante do resultado, só resta ao querido Márcio contratar um bom advogado e buscar seus direitos na Justiça, ressaltando que a dor de cabeça dobrou: se já nao bastasse o calote do boi, agora precisa pedir dos pajés feiticeiros a devolução do dinheiro pago pelo feitiço, afinal, deu xabu.
- Márcio, Código do Consumidor neles!!!
Bebas do mesmo veneno! Eheheh. AQUI o texto completo.
* Márcio Souza nasceu em Manaus, Amazonas, em 1946. Aos 14 anos começou escrevendo críticas de cinema para um jornal local e em 1965 deixou Manaus para estudar Ciências Sociais na Universidade de São Paulo.
Seu primeiro romance, “GALVEZ, IMPERADOR DO ACRE”, foi um enorme sucesso de crítica e de vendas, logo se tornando um fenômeno internacional. A seguir, outros romances, ensaios e textos teatrais foram lançados com o mesmo impacto. Romances como “MAD MARIA”, “A ORDEM DO DIA” e “O MUNDO PERDIDO”. Ensaios como “O EMPATE CONTRA CHICO MENDES”, “FASCÍNIO E REPULSA” e “BREVE HISTÓRIA DA AMAZÔNIA”. Peças de teatro como “DESSANA,DESSANA”, “A PAIXÃO DE AJURICABA” e “AS FOLIAS DO LÁTEX”.
Márcio Souza participou de muitos encontros internacionais de literatura e foi professor convidado da Universidade da California, Berkeley, escritor residente nas Universidade de Stanford e Austin, Texas. No momento ele está escrevendo a tetralogia “Crônicas do Grão-Pará e Rio Negro”, tendo já publicado dois volumes: “LEALDADE” e “DESORDEM”, editados no Brasil pela Editora Record.